Centro de Investigaciones Económicas - CINVE

Coordenação do sistema agroindustrial da carne bovina: determinantes dos arranjos contratuais entre produtores e processadores no Uruguai
    • Mario P. Mondelli
    • 05/2007

    Tesis de Maestría en Economía, Departamento de Economía, Univ. de São Paulo, Brasil.

    ABSTRACT:

    Quais os determinantes da escolha do arranjo contratual nas transações entre produtores e
    processadores de carne bovina no Uruguai? A pergunta problema se insere no estudo dos
    mecanismos de coordenação associados ao problema do controle da produção para dar
    respostas às novas preocupações e demandas dos consumidores. A coordenação do sistema
    agroindustrial (SAG) da carne bovina uruguaia adquire maior relevância, não apenas para dar
    garantias de produtos seguros e com atributos específicos de qualidade aos consumidores, mas
    também para reagir rapidamente frente a mudanças e para explorar as oportunidades que o
    acesso a mercados de alto valor oferece (exporta-se 75% da produção). Coexistem diversos
    arranjos contratuais, dentre os quais o arranjo direto e via intermediário são os dominantes.
    Abordagem teórica: Economia dos Custos de Transação que focaliza a compreensão dos
    motivos que explicam a emergência e adaptação de arranjos contratuais em resposta aos
    desafios de ganhos de eficiência “economizando” nos custos de realização das transações
    entre os agentes econômicos. Método: Foram analisadas as mudanças no ambiente
    institucional e organizacional nos mercados finais e no Uruguai; as novas oportunidades e
    estratégias no SAG da carne bovina; e o SAG uruguaio desde o consumo à produção. De
    modo particular, analisou-se a transação produtor-processador no que se refere aos arranjos
    contratuais existentes e às dimensões da transação (especificidade dos ativos físicos e
    humanos envolvidos na produção e processamento, locacional, freqüência e incerteza). Foram
    identificados os determinantes da escolha dos arranjos contratuais dominantes (direto e via
    intermediário). Por último realizou-se um teste estatístico das relações causais identificadas
    com painel de dados do total das transações realizadas no Uruguai (77.000 transações,
    2004/2005). Resultados: Encontrou-se relação estatisticamente significativa entre a escolha do
    arranjo contratual na transação produtor-processador e os determinantes identificados. Uma
    transação tem maior probabilidade de se alinhar com o arranjo contratual direto (mais
    coordenado) quanto maior o grau de especificidade dos ativos envolvidos na produção e
    processamento do produto transacionado (ex.: novilhos precoces), quanto menor a distância
    entre o produtor e o processador, e quanto maior a freqüência das transações entre as partes
    envolvidas. O arranjo contratual direto facilita a coordenação das transações que envolvem
    produtos com atributos de maior qualidade. Os intermediários apresentam vantagens em
    transações de produtos genéricos (menor grau de ativos específicos) e com baixa freqüência
    de transação entre o produtor e processador envolvido. A busca por qualidade envolve
    investimentos específicos na produção e processamento e, em conseqüência, maior
    dependência bilateral entre os agentes dessas atividades. A dinâmica do SAG e o negócio da
    carne bovina dependem de dois conjuntos de produtos -baixa e alta qualidade- ligados a
    mercados diferentes. O subsistema que orienta as estratégias na busca de produtos de maior
    qualidade envolve arranjos mais coordenados. Do presente trabalho decorrem implicações
    para os atores do SAG e para as políticas públicas setoriais em torno a uma “estratégia país”
    com foco em produtos cárnicos de alta qualidade e valor.

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